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Assim, importa considerar a segunda hipótese. Bebés com uma vinculação ambivalente externalizam mais as suas emoções e apresentam comportamentos contraditórios e dificuldade de regulação emocional quando comparados com outros bebés [5]. Em situações de doença (mesmo em condições ligeiras), este/as bebés parecem inconsoláveis e em sofrimento [6,7]. Ora, é possível que este estado de aflição provoque preocupação e ansiedade nos pais e nas mães e que, por essa razão, procurem respostas rápidas e eficazes. Com efeito, estas variáveis parentais estão associadas com a toma de antibióticos [1,8]. Quando questionadas, algumas mães referem que quando os/as filhos/as estão doentes não hesitam em solicitar antibióticos, e consideram ser uma resposta rápida e eficaz para qualquer doença infeciosa. Mas não é bem assim….
Porque não devemos solicitar um antibiótico desnecessariamente?
Os antibióticos são necessários e eficazes contra doenças bacterianas. No entanto, não atuam em vírus. Portanto, não ajudam a curar gripes, constipações nem outras doenças virais como a Covid-19, herpes, etc. Embora sejam excelentes fármacos no combate a infeções bacterianas, também têm desvantagens individuais e ambientais. Ao nível individual, a toma prolongada de antibióticos pode causar alguns danos, nomeadamente neurológicos, asma, diabetes tipo-1, ou outros. Ao nível global, podem perturbar o ambiente. De facto, o mau uso dos antibióticos ajuda a propagar bactérias resistentes a antibióticos. Essas bactérias têm então oportunidade de se replicar no nosso corpo enquanto tomamos antibióticos, acabando por ser disseminadas para o ambiente sempre que defecamos, por exemplo. Como resultado, atualmente muitas bactérias patogénicas são resistentes a antibióticos, mesmo a antibióticos mais recentes. Assim, mais de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos devido a infeções por bactérias resistentes a antibióticos e estima-se que quase 5 milhões de pessoas morrem indiretamente devido a causas associadas à resistência a antibióticos [9].
Porque devemos tomar a caixa do antibiótico até ao fim?
Por vezes, ao terceiro ou quarto dia a tomar antibiótico já nos sentimos bem. Se nesse momento pararmos de tomar o fármaco, ainda há milhões de bactérias patogénicas por eliminar. Estas bactérias poderiam recomeçar a expandir-se no nosso corpo, juntamente com muitas já resistentes ao antibiótico. Os sintomas podem reaparecer, mas agora com uma quantidade de bactérias resistentes muito maior. Desta vez, o antibiótico poderá já ter um efeito diminuto ou mesmo nulo. Para além do prejuízo pessoal, desta forma ajudamos a propagar bactérias resistentes a antibióticos.
Pode ser útil…
- Ajudar a tranquilizar os familiares quando os bebés estão doentes.
- Relatar aos familiares os sintomas da criança de forma fidedigna e rigorosa (e.g., medir a temperatura mais do que uma vez por dia)
- Aconselhar os pais a relatarem aos médicos os sintomas da criança de forma fidedigna.
- Cumprir as indicações médicas e as instruções para a toma de fármacos.
- Solicitar informação e aconselhamento sobre o uso de antibióticos às autoridades locais de saúde, e implementar essas medidas no jardim de infância ou creche.
- Ajudar a combater a desinformação sobre a toma de antibiótico.
Ajude a proteger os antibióticos, eles são um bem da humanidade!
Mensagem de Marina Fuertes (Professora Coordenadora com Agregação da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa) e Francisco Dionisio (Professor Associado com Agregação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)
Referências
- Fuertes, M., Gonçalves, J. L., Faria, A., Lopes-dos-Santos, P., Conceição, I. C., & Dionisio, F. (2022). Maternal sensitivity and mother-infant attachment are associated with antibiotic uptake in infancy. Journal of Health Psychology, 27(9), 2197–2210. https://doi.org/10.1177/1359105320941245
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- Volker, E., Tessier, C., Rodriguez, N., Yager, J., & Kozyrskyj, A. (2022). Pathways of atopic disease and neurodevelopmental impairment: Assessing the evidence for infant antibiotics. Expert Review of Clinical Immunology, 18(9), 901–922. https://doi.org/10.1080/1744666X.2022.2101450
- Fuertes, M., Faria, A., Gonçalves, J. L., Antunes, S., & Dionisio, F. (2023). The Association between Prematurity, Antibiotic Consumption, and Mother-Infant Attachment in the First Year of Life. Antibiotics, 12(2), Article 2. https://doi.org/10.3390/antibiotics12020309
- Ainsworth, M. D. S., Blehar, M., Waters, E., & Wall, S. (1978). Patterns of attachment—A Psychological Study of the Strange Situation. Lawerence Erlbaum
- Andrews, N. E., Meredith, P. J., & Strong, J. (2011). Adult attachment and reports of pain in experimentally-induced pain. European Journal of Pain, 15(5), 523–530. https://doi.org/10.1016/j.ejpain.2010.10.004
- Feeney, J. A. (2000). Implications of attachment style for patterns of health and illness. Child Care Health and Development, 26(4), 277–288. https://doi.org/DOI 10.1046/j.1365-2214.2000.00146.x
- Stern, J. A., Beijers, R., Ehrlich, K. B., Cassidy, J., & de Weerth, C. (2020). Beyond Early Adversity: The Role of Parenting in Infant Physical Health. Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics: JDBP, 41(6), 452–460. https://doi.org/10.1097/DBP.0000000000000804
- Murray, C. J., Ikuta, K. S., Sharara, F., Swetschinski, L., Aguilar, G. R., Gray, A., Han, C., Bisignano, C., Rao, P., Wool, E., Johnson, S. C., Browne, A. J., Chipeta, M. G., Fell, F., Hackett, S., Haines-Woodhouse, G., Hamadani, B. H. K., Kumaran, E. A. P., McManigal, B., … Naghavi, M. (2022). Global burden of bacterial antimicrobial resistance in 2019: A systematic analysis. The Lancet, 399(10325), 629–655. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)02724-0

